Projeto de Pesquisa

Título: SUBJETIVIDADE E DESSUBJETIVAÇÃO EM DISSERTAÇÕES ESCOLARES: GÊNERO, ESTILO E AUTORIA

Início: 01/2012 (24 meses)

Resumo
Tendo como questão teórica principal a relação entre discurso e subjetividade, que se desdobra em discussões sobre gênero, estilo e autoria, pretende-se, neste projeto de pesquisa, analisar textos dissertativos-argumentativos, produzidos em contexto escolar, com o fim de investigar as relações entre subjetividade e discurso no âmbito de enunciações em que o sujeito deve adequar seu enunciado a um gênero, mas, ao mesmo tempo, pode querer, de alguma forma, marcar sua individualidade. Ao conceituar Gêneros do Discurso, Bakhtin (1992b) postula que toda enunciação se realiza sob a forma de um determinado gênero, o que significa dizer que ocorre um pertencimento do enunciado e de seus elementos constitutivos a esse gênero. Ao mesmo tempo, a teoria bakhtiniana afirma a possibilidade de um trabalho subjetivo na linguagem. Tem-se, assim, uma tensão constitutiva entre os regimes discursivos (AMORIM, 2001) de gêneros consagrados e legitimados pela escola e pela sociedade e o querer-dizer do locutor (BAKHTIN, 1992b). No horizonte discursivo das dissertações, essa tensão se consubstancia na articulação entre a subjetividade do eu e sua dessubjetivação (AMORIM, 2001; GREGOLIN & BARONAS, 2003) em relação a um outro, marcando, desse modo, a pretensão de objetividade, característica do discurso dissertativo prototípico. Nesse sentido, pretende-se analisar dados de aquisição e desenvolvimento da linguagem escrita colocando-se em discussão a relação do sujeito com os gêneros dissertativos-argumentativos privilegiados pelo contexto escolar.

Resultados esperados
Sabendo-se que o ensino de língua portuguesa, em geral, e, mais especificamente, os cursos preparatórios para o vestibular direcionam a produção do texto disssertativo-argumentativo para o que estamos denominando processo de dessubjetivação discursiva (VIDON, 2009), trabalhamos, neste projeto, com a hipótese de que, ainda que tenha que seguir as normas do gênero do discurso em que produz o seu texto, o enunciador consegue deixar marcas de sua subjetividade. Com base em um paradigma indiciário de investigação, conforme Ginzburg (1986), e com base em uma concepção dialógica de linguagem, segundo Bakhtin (1992), buscamos identificar essas marcas de subjetividade e dessubjetivação nos textos dissertativos-argumentativos produzidos por estudantes de ensino médio, de escolas públicas e particulares da Grande Vitória, especialmente os candidatos ao vestibular da UFES. Vislumbramos, com isso, uma maior atenção dos sistemas de ensino do texto ao papel da subjetividade na constituição de gêneros de natureza dissertativo-argumentativa.

Participantes
  • Luciano Novaes Vidon (Coordenador)

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